Dr. Henrique Leão Guedes
A tontura é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos. Ela pode ser descrita como sensação de instabilidade, desequilíbrio, vertigem (sensação de que tudo está girando) ou até um mal-estar inespecífico. Embora muitas vezes seja transitória e de pouca gravidade, em alguns casos pode indicar doenças que merecem atenção especializada.
Principais causas de tontura
A tontura pode ter diversas origens. Entre as mais frequentes, destacam-se:
- Alterações do labirinto (vestibulares): labirintite, vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), doença de Ménière.
- Problemas neurológicos: enxaqueca vestibular, acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou outras alterações no sistema nervoso central.
- Doenças cardiovasculares: arritmias, queda da pressão arterial, insuficiência cardíaca.
- Alterações metabólicas: diabetes descompensada, alterações da tireoide, carência de vitamina B12.
- Efeitos colaterais de medicamentos: alguns remédios para pressão, antibióticos e sedativos podem causar tontura.
- Questões emocionais: ansiedade, estresse e síndrome do pânico podem se manifestar também como tontura.
Sintomas associados
A tontura raramente aparece sozinha. Entre os sintomas que podem acompanhá-la estão:
- Zumbido no ouvido;
- Náuseas e vômitos;
- Sensação de ouvido tampado ou perda auditiva;
- Suor frio;
- Desequilíbrio ao andar;
- Escurecimento da visão ou desmaios (em casos cardiovasculares).
Quando procurar um especialista?
Nem toda tontura exige consulta médica imediata. Porém, é fundamental procurar um otorrinolaringologista ou clínico especializado quando:
- As crises são frequentes ou prolongadas;
- Há perda de audição associada;
- O sintoma vem acompanhado de dor de cabeça intensa, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar (sinais de alerta neurológico);
- A tontura interfere nas atividades do dia a dia, como dirigir ou trabalhar.
Exames para diagnóstico
O diagnóstico da causa da tontura pode envolver:
- Exame clínico detalhado com histórico do paciente;
- Audiometria e imitanciometria, para avaliar a audição e o ouvido médio;
- Exames vestibulares (como vectoeletronistagmografia ou videonistagmografia), que analisam o funcionamento do labirinto;
- Exames de imagem (ressonância magnética, tomografia), quando há suspeita de causas neurológicas;
- Exames laboratoriais, para descartar alterações metabólicas.
Tratamentos disponíveis
O tratamento depende da causa identificada e pode incluir:
- Reabilitação vestibular: exercícios específicos para o equilíbrio, muito eficazes em vários casos.
- Medicamentos: usados em situações específicas, como antivertiginosos, anti-inflamatórios ou diuréticos.
- Mudanças de hábitos: redução do sal na dieta, evitar álcool e cafeína, controlar estresse e ansiedade.
- Tratamento das doenças de base: controle da pressão arterial, diabetes ou distúrbios da tireoide.
- Manobras terapêuticas: no caso da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), manobras como a de Epley podem resolver rapidamente o problema.
A tontura é um sintoma que merece atenção, pois pode ter múltiplas causas. O diagnóstico correto é essencial para indicar o tratamento adequado e devolver qualidade de vida ao paciente. Se a tontura se tornar recorrente ou incapacitante, não hesite em procurar um especialista.
Dr. Henrique Leão Guedes é Otorrinolaringologista na Vida Otorrino.


